"Cada um deve fazer o melhor que puder. Fazer para os outros o que a gente que quer que faça para nós": é assim, pregando o amor, a empatia e a caridade que o Brasil lembra com carinho de Francisco Cândido Xavier - o Chico Xavier -, um dos líderes do espiritismo mais respeitados no mundo, e que esta semana foi homenageado pelos 20 anos de sua morte.
A psicografia de Chico Xavier surgiu ainda na juventude do ex-coroinha, que passou apenas quatro anos na escola. As milhares de mensagens escritas pelo médium viraram livros: mais de 450. Chico tinha 22 anos quando fez a primeira publicação, "Parnaso de além-túmulo", com poemas que teriam sido ditados por Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos, entre outros.
Para o amigo e seu biógrafo Jhon Harley, mais que contribuir para a literatura espírita, Chico Xavier rompeu as barreiras religiosas.
"Falar de Chico Xavier é falar de ética, tolerância, respeito pelas diferenças. É falar em diversidade e inclusão, gentileza", exalta.
Chico teve uma parada cardiorrespiratória no dia 30 de junho de 2002, mesma data em que o Brasil foi pentacampeão na copa Coreia/Japão. O filho dele, Eurípedes Reis, lembra: "Ele sempre dizia que queria morrer no dia em que o país estivesse todo alegre para passar desapercebido o seu desencarne".
A obra do médium foi imortalizada também no cinema. "Nosso Lar", uma história psicografada por ele, foi visto por mais de 4 milhões de pessoas. Agora, o filme terá uma sequência e Edson Celulari interpreta o líder dos mensageiros espirituais que voltam em uma missão de ajuda.
"Eu acho que a obra do Chico traz muito mais do que uma religião. É uma filosofia, uma forma de ver o mundo. E acho que a gente tá precisando de boas mensagens", afirma o ator.
Um documentário do mesmo diretor de "Nosso Lar", o cineasta Wagner Assis, vai ser lançado ainda este ano. Ele ouviu depoimentos de 80 amigos e parentes do médium.
Seu legado ultrapassou as barreiras religiosas e hoje ele é reconhecido como o maior "líder espiritual" do Brasil, sendo uma das personalidades mais admiradas e aclamadas no país, ressaltado principalmente por um forte altruísmo.
Xavier recebeu várias homenagens e honrarias. Em 1981 e 1982 foi indicado ao prêmio Prêmio Nobel da Paz,tendo seu nome conseguido cerca de 2 milhões de assinaturas no pedido de candidatura; em 1999 o Governo de Minas Gerais instituiu a Comenda da Paz Chico Xavier; e em 2012 ele foi eleito O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, em um concurso homônimo realizado pelo SBT e pela BBC, cujo objetivo foi "eleger aquele que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade".
Uma de suas psicografias mais famosas, e que teve repercussão mundial, foi a de um caso ocorrido em Goiânia, no qual José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz, que aceitou como prova válida, entre outras apresentadas pela defesa, um depoimento da própria vítima, já falecida, por meio de texto psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979. Assim, o presumido espírito de Maurício teria inocentado o amigo dizendo que tudo não teria passado de um acidente. Depoimentos psicografados por Chico Xavier também foram aceitos como provas judiciais em outros três casos de julgamento de homicídio internacionalmente repercutidos.
O pesquisador da Universidade Estadual de Londrina, Carlos Augusto Perandréa, pós-graduado em criminologia, durante cerca de 14 anos estudou cientificamente 400 cartas psicografadas por Chico Xavier em transes mediúnicos, utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário, a grafoscopia. Perandréa comparou a letra padrão dos indivíduos antes da morte e depois nas cartas psicografadas, chegando à conclusão de que todas as psicografias possuem autenticidade gráfica dos referidos mortos. Em 1991, o pesquisador publicou o resultado desse estudo em seu livro chamado "A Psicografia à Luz da Grafoscopia". O estudo também foi publicado na Revista Científica da Universidade de Londrina, a Revista Semina, em 1990, e igualmente apresentado, em outra oportunidade, em um Congresso Nacional, diante de mais de 500 profissionais e peritos da área, sem uma única contestação.
Um líder que pregava o amor e vivia a caridade em sua forma mais genuína. Um nome que para sempre será lembrado e seu legado continuará nas memórias de todos os Brasileiros que continuarão sempre se beneficiando, de forma espiritual e em constante evolução, através do conhecimento e vivência de suas obras.

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