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STF obriga prefeituras a proteger cães e gatos abandonados; “obrigação do poder público”

A ação foi ajuizada depois que o MP recebeu denúncias de uma casa em Catanduva, onde a moradora mantinha animais em situação insalubre. Prefeitura diz que não foi comunicada da determinação.

Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as prefeituras têm o dever de acolher cães e gatos abandonados ou vítimas de maus-tratos. A decisão foi tomada em um processo envolvendo a cidade de Catanduva (SP), mas reforça um entendimento que pode servir de base para ações semelhantes em municípios de todo o Brasil.⁣

Na prática, isso significa que as cidades não podem simplesmente ignorar animais abandonados ou resgatados de situações de violência. Se não houver um canil ou gatil municipal, a prefeitura deverá apresentar outra solução eficiente para garantir abrigo, atendimento veterinário e proteção aos animais.⁣

A decisão, tomada no último dia 23, não cria uma lei nova nem obriga automaticamente todos os municípios a abrirem abrigos imediatamente. Porém, ela fortalece o entendimento de que a proteção animal é uma obrigação do poder público e abre um importante precedente para que a Justiça cobre essa responsabilidade em outras cidades.⁣

Como surgiu a decisão?

O caso começou em Catanduva, no interior de São Paulo, após o Ministério Público constatar que o município não possuía estrutura para receber cães e gatos abandonados ou vítimas de maus-tratos. Na prática, o trabalho acabava sendo realizado por protetores independentes e voluntários.

Diante da situação, a Justiça determinou que a prefeitura criasse uma estrutura de acolhimento ou apresentasse uma alternativa que garantisse atendimento aos animais. O município recorreu mas, após analisar a decisão do TJSP, o ministro André Mendonça manteve o mesmo entendimento. E isso torna a determinação inédita.

Para o Supremo, quando há omissão do poder público em um tema protegido pela Constituição, como o meio ambiente e a fauna, a Justiça pode determinar que políticas públicas sejam implementadas.

O que pode mudar daqui para frente?

Especialistas avaliam que a decisão fortalece a atuação de promotores e protetores da causa animal em todo o país. Sempre que uma prefeitura deixar de oferecer proteção mínima aos animais abandonados, o entendimento do STF poderá ser usado como fundamento em novas ações judiciais.

A expectativa agora é que mais municípios passem a investir em políticas públicas como abrigos, convênios com clínicas veterinárias, programas de castração, adoção responsável e atendimento a animais vítimas de maus-tratos, para reduzir a dependência exclusiva do trabalho voluntário.

Para milhares de protetores independentes, a decisão representa um avanço histórico.

Ela reforça que cuidar dos animais abandonados não é apenas um gesto de solidariedade, mas também uma responsabilidade que deve ser compartilhada pelo poder público.

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