Os deuses do futebol (e há quem diga que integrantes da CONMEBOL também deram sua contribuição) escolheram presentear o torcedor sul-americano com a maior final da história da Copa Libertadores; quiçá, da história do futebol. Boca Juniors e River Plate estão disputando a América pela primeira vez, escrevendo um embate inédito entre dois Golias, cuja tradição e o peso das camisas são fatores indiscutíveis.
O jogo alcançou uma dimensão tão grandiosa que nem São Pedro permitiu que a partida pudesse ser vislumbrada de outra forma que não beirasse a perfeição. A chuva fez questão de castigar o belo gramado de La Bombonera, fazendo com que a final fosse adiada para um domingo, com o simples intuito de registrar na memória do torcedor xeneize que teve de voltar para casa após ter sentado na arquibancada sem ver sequer um jogador do seu time.
Um dia depois, a maior rivalidade do mundo escancarou para todo o continente que o futebol sul-americano também pode virar sinônimo de grandeza com um nível alto de competitividade, contrariando as premissas de que só aconteceria confusão (muitas vezes, confundida com raça).
Na cancha, a tensão e o desejo inefável de dar tudo certo fizeram com que o craque Pavón saísse de cena precocemente para dar lugar ao iluminado Benedetto. Curiosamente, o River equilibrado e detentor das ações de outrora viu o Boca crescer com uma maior presença de área e acabou sendo castigado com o balaço de Wanchope Ábila. Mesmo assim, no ataque seguinte, Lucas Pratto igualou o marcador e incendiou o povo millonario, obrigado a assistir de longe em virtude da torcida única. Porém, antes do fim da primeira etapa, Darío Benedetto fez brilhar sua estrela já conhecida anteriormente quando o adversário era o Palmeiras. O placar parcial indicava superioridade azul e amarela.
Nos bastidores, o River teve de encontrar forças estapafúrdias, já que estava sem o grande comandante na mediação da equipe.
Com todo um cenário desfavorável, o futebol mostrou outra vez que é, de fato, uma caixinha de surpresas. O poderosíssimo ataque riverplatense não foi o responsável pelo estufar das redes do arqueiro Rossi. Coube ao destino escolher que o zagueiro boquense Izquierdoz resvalasse na pelota contra sua própria meta. 2x2. Ali, voltou a bater forte o coração vermelho e branco da capital Buenos Aires. Por fim, Benedetto perdeu a chance de confirmar a vantagem quando parou no excelente goleiro Armani, no último lance claro de gol da primeira disputa.
Boca e River optaram, no segundo tempo, pela cautela normal de um jogo de 180 minutos. Grandes decisões se decidem com o coração. Tem muita história para acontecer. Diante disso, quem ganha somos nós, apaixonados pelo futebol e pela nossa querida Libertadores. Continua a espera de um enorme campeão.
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