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Carros - Marchas Automáticas

Até o início dos anos 2000, era considerado um acessório caro, de manutenção complexa que piorava o consumo do carro e o deixava mais lento

Circula há quase uma década um vídeo de um senhor “cruzando marchas” em um antigo caminhão FNM. Uma orquestra de engrenagens sincronizadas entre pés que comandam 3 pedais, e mãos que operam 2 alavancas de câmbio e um volante. Algumas cambiadas de marcha requerem retirar as duas mãos do volante inclusive. 50 anos depois, entretanto, mais da metade dos veículos novos comercializados dispõem apenas de 2 pedais e volante, alguns sem alavanca de câmbio.

Inventada em 1932 por dois engenheiros brasileiros, o câmbio automático teve como preconizador o Oldsmobile – comercializado nos EUA, e no Brasil chegou apenas em 1969 sendo um opcional do famoso Ford Galaxie. Até o início dos anos 2000, era considerado um acessório caro, de manutenção complexa que piorava o consumo do carro e o deixava mais lento. Todavia com a demanda crescente por esse conforto, a tecnologia evoluiu a ponto de os carros mais rápidos do mundo serem automáticos, idem para os carros mais econômicos e são opcionais para quase toda gama de veículos nacionais se tornando bem acessíveis. O que é preciso ter cuidado e que há tipos de câmbios, e que nem todos eles possuem essas virtudes:

•    Hidramático: Ou epicíclico é o mais convencional, sendo equipado em Chevettes à BMWs. Por ser o mais comercializado, é o com manutenção mais em conta e usa um sistema de conversão de torque para eximir alavanca de câmbio e embreagem. Possui as marchas bem definidas, com trocas suaves, e com opções de 3 (VW Santana) à 9 marchas (Jeep Renegade). 


•    CVT: Continuously Variable Transmission é um sistema diferente que utiliza duas polias e uma correia que as interliga, sendo que a variação da força transmitida às rodas é regulada pelo distanciamento dessas polias. É massivamente utilizado em jet-skis, motocicletas e karts, e no início do século começou a equipar veículos, sendo os nipônicos os que mais o adotaram. O interessante nesse câmbio é que as marchas são simuladas, um efeito placebo para amenizar a estranheza de acelerar com rotação do motor constante. É um câmbio que demanda menos manutenção, também.


•    Automatizados: Também conhecidos como robotizados. Infelizmente esses tiveram vida curta no mercado nacional, por apresentarem constantes problemas e dificuldade de reparo. Apesar de dispensarem o pedal de embreagem, essa técnica ainda faz uso do disco de embreagem, sendo o acoplamento operado por um robô. Portanto não duvide se em alguma manutenção de seu carro automatizado, estiver no orçamento um caro disco de embreagem. Na lista temerosa de mecânicos e garagistas, constam Dualogic e GSR da Fiat, I-motion e DSG da Volkswagen, Powershift da Ford, Easytronic da Chevrolet e Easy-R da Renault.
 

Yuri Rodrigues Leite

ENTUSIASTA  AUTOMOTIVO DESDE OS TEMPOS DE VELOTROL, ME DEDICO EM BUSCA DE CONHECIMENTO TÉCNICO E MERCADOLÓGICO DO UNIVERSO AUTOMOBILÍSTICO. 
FORMADO EM ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO PELA UFOP.
TRABALHO ATUALMENTE NO RAMO DE ENERGIA – SUBESTAÇÕES. 
CARRO BOM É CARRO BEM CUIDADO!

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