Em comunicado inusitado, a Chevrolet (também conhecida como GM), informou no último dia 18 através de e-mail enviado aos seus funcionários sobre uma questionável crise da marca no Brasil, e sobre uma possível saída do país:
“A GM no Brasil teve um prejuízo agregado significativo no período de 2016 a 2018, que não pode se repetir. [...]
O ano de 2019 será decisivo para nossa história e precisaremos do sacrifício de todos.”
Tal informe foi redigido pelo então presidente da GM Brasil Carlos Zarlenga, e causou alvoroço entre sindicatos, fornecedores, concessionários e funcionários. Posteriormente a GM apresentou as propostas de reestruturação que arremetem diretamente ao chão de fábrica. Isto é, redução de piso salarial, terceirização de funções e cortes de benefícios de funcionários. “Muy amiga”, não?
A contradição – O Chevrolet Onix é o carro mais vendido do país, e emplacou nada menos que 210.000 unidades comercializadas no último ano. É um volume tão expressivo que supera as vendas de todos os carros de fabricantes como Hyundai e Peugeot. Juntamente com os outros modelos, a GM corresponde à uma fatia de vendas de 17,58% do mercado nacional. No ano de 2018 a GM informou que investirá 4,5 bilhões de reais em 30 novos modelos no país, incluindo o lançamento de novas plataformas, novos Onix e Prisma e um inédito motor 1.0 turbo 3 cilindros. Não faz sentido tanto investimento para sair do país.
O que é verdade na história – Um dos principais motivos do sucesso de vendas do Onix são os generosos descontos e negociações flexibilizadas nas concessionárias. Como não existe almoço grátis, a margem de lucro por unidade reduz com esses descontos. E metade das comercializações são vendas diretas para frotas empresariais, que limita ainda mais o lucro por unidade. E a Chevrolet pouco investiu no segmento mais rentável no Brasil, que são os SUVs. Veículos de construção simples, vendidos a valores estratosféricos.
Porque pode ser blefe – Além do relativo sucesso de mercado e dos futuros investimentos, essa jogada figura uma forçada no sindicato, fornecedores e governo. Enquanto o primeiro acata os cortes solicitados, o segundo reduz os valores das peças e o terceiro – que é novo - subsidia os impostos. Sim, se parece com um blefe para maximizar a rentabilidade, extorquindo o máximo possível das condições nacionais.
Consequências – A curto prazo já foram realizadas reuniões com sindicatos que foram irredutíveis e produziram pouco resultado para GM. E independente de fatores externos, as comissões de concessionários reduziram de 5% para 4%. Caso se concretize a saída da Chevrolet do Brasil, implicará em recessão financeira e retração de investimento de outras fabricantes. Além claro das dezenas de milhares de funcionários dispensados, fornecedores e terceirizados prejudicados. E para quem tem um carro Chevrolet, desvalorização, encarecimento de peças e dificuldade de revenda.
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