As palavras acima descrevem o atual comportamento do povo brasileiro. Não utilizarei a definição de cidadãos e nem de eleitores, pois reduziria os atores sociais deste atual cenário. Tornando assim a definição de povo mais genérica atingindo todas as idades. Vemos que desde as crianças aos velhos, a discussão política está presente no dia-dia de cada um, em dias comuns com as políticas municipais, bairristas ou clubistas, bem como agora que vivemos as definições para presidente da República e Governador de nosso Estado. Falar dos candidatos? Não. Falar dos comportamentos e reações primitivas de nós mesmos, pois a utopia da política enquanto conceito da Grécia antiga está longe. E por falar em Grécia antiga, ali nasceu dois grandes termos que foram utilizados ao longo dos tempos: cidadania e política.
Contudo, devido a perversidade dos homens e sua natureza pessimista e egoísta distorceram tais conceitos, sem ter sequer culpa ou remorso. Sem estes dois sentimentos, a humanidade caminha para um tempo de crueldade, sem preocupação com princípios éticos, morais e civilizatórios. Estaremos a caminho da barbárie política com “estrambelhados” na tomada de poder ou estamos à beira de uma alteração de peças na política e no poder? Incógnitas a parte, o povo clama por um pai, por uma lei, para que restaure a ordem primeira, mesmo que custe caro a nossa jovem, pequena e doente democracia. Democracia que foi sequestrada de seu verdadeiro significado, criado pelos homens, para os homens e distorcida por nós mesmos...
Na era da pós verdade, as narrativas se tornam verdades absolutas, editadas por cada um, seja no modo antigo de conversas frente a frente, ou pelas mídias sociais, onde as discussões se tornam calorosas, causando feridas narcísicas, feridas sentimentais, gerando raiva, agressividade, ódio e intolerância política. É o fracasso da civilidade, das normas de conduta, dos valores e da ética do bem viver.
Por que não dialogar, possuir um ponto de vista, respeitar e ser respeitado? Em épocas contemporâneas, com tecnologias de ponta, vivemos a barbárie da polaridade, da divisão, do um ou do outro, da fragmentação e da sociedade esquizofrênica.
Após as eleições o que nos restará? O tempo de compreender, a pausa, o instante de refrigerar novas configurações visando uma convivência mais civilizada e mais tolerante para lidar com o outro e suas diferenças.
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