Política 2018

A polarização na política: agressividade, intolerância e o poder

Falar dos candidatos? Não. Falar dos comportamentos e reações primitivas de nós mesmos

As palavras acima descrevem o atual comportamento do povo brasileiro. Não utilizarei a definição de cidadãos e nem de eleitores, pois reduziria os atores sociais deste atual cenário. Tornando assim a definição de povo mais genérica atingindo todas as idades. Vemos que desde as crianças aos velhos, a discussão política está presente no dia-dia de cada um, em dias comuns com as políticas municipais, bairristas ou clubistas, bem como agora que vivemos as definições para presidente da República e Governador de nosso Estado. Falar dos candidatos? Não. Falar dos comportamentos e reações primitivas de nós mesmos, pois a utopia da política enquanto conceito da Grécia antiga está longe. E por falar em Grécia antiga, ali nasceu dois grandes termos que foram utilizados ao longo dos tempos: cidadania e política.

 Contudo, devido a perversidade dos homens e sua natureza pessimista e egoísta distorceram tais conceitos, sem ter sequer culpa ou remorso. Sem estes dois sentimentos, a humanidade caminha para um tempo de crueldade, sem preocupação com princípios éticos, morais e civilizatórios. Estaremos a caminho da barbárie política com “estrambelhados” na tomada de poder ou estamos à beira de uma alteração de peças na política e no poder? Incógnitas a parte, o povo clama por um pai, por uma lei, para que restaure a ordem primeira, mesmo que custe caro a nossa jovem, pequena e doente democracia. Democracia que foi sequestrada de seu verdadeiro significado, criado pelos homens, para os homens e distorcida por nós mesmos...

Na era da pós verdade, as narrativas se tornam verdades absolutas, editadas por cada um, seja no modo antigo de conversas frente a frente, ou pelas mídias sociais, onde as discussões se tornam calorosas, causando feridas narcísicas, feridas sentimentais, gerando raiva, agressividade, ódio e intolerância política. É o fracasso da civilidade, das normas de conduta, dos valores e da ética do bem viver.

 Por que não dialogar, possuir um ponto de vista, respeitar e ser respeitado? Em épocas contemporâneas, com tecnologias de ponta, vivemos a barbárie da polaridade, da divisão, do um ou do outro, da fragmentação e da sociedade esquizofrênica.

Após as eleições o que nos restará? O tempo de compreender, a pausa, o instante de refrigerar novas configurações visando uma convivência mais civilizada e mais tolerante para lidar com o outro e suas diferenças.

Thiago Augusto Pinto

Psicólogo pela UEMG, Especialização em Psicologia Hospitalar pelo CFP; Especialista em Gestão Pública em Saúde pela UFSJ, Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional pela UEMG. Atua em Psicologia Clínica e Hospitalar. É orientador de campo de estágio em Psicologia Hospitalar. Investiga os seguintes temas: psicologia hospitalar e da saúde, medicina e instituições de saúde, teoria e clínica psicanalítica, saúde mental, história e introdução à Psicologia, clínica com crianças, adolescentes, adultos, gestão pública, políticas públicas e tanatologia.
 

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