Intoxicação Tencolog

As vertentes da intoxicação tecnológica

A tecnologia prometia nos dar mais tempo para o lazer e nos livrar do excesso de trabalho, mas o que se vê é que, no lugar de nos libertar, ela nos aprisiona. E não é discurso saudosista de quem preferia escrever cartas e mandar e-mails. Termos como tecnoestresse (ou estresse tecnológico) e dependência da internet estão aí para provar que alguma coisa mudou depois que a tecnologia passou a fazer parte de nossa vida.

Parece que alguma coisa está em excesso na sociedade em rede, conectada, plugada... O que fazer diante destes impulsos, manias, obsessões e esconderijos de egos? Vamos andar pela cidade, pelas festas e ver que as pessoas tem passado a maior parte do tempo preocupadas com o narciso das redes sociais. Redes sociais tempos atrás era vista com rede ao vivo, de contato, pele a pele e corpo a corpo. Atualmente a rede se reduziu a internet e suas travessuras na subjetividade através de imagens e vídeos produzidos, quando não usam os corretivos dos aplicativos, buscando a essência do belo!

Falando dos transtornos e dos excessos do uso, a vida permeada por tecnologia provoca mais angústia, ansiedade, agitação, imediatismo, narcisismo, obsessão, pois representa para o indivíduo o ápice de sua representação social, se sua imagem, ou seja, se seu ego... Produz manifestações subjetivas que demonstram dificuldades em lidar com perdas e frustrações, as vezes um comentário mal escrito é motivo de uma briga homérica.

 E quando, por algum motivo, as pessoas ficam impedidas de estar acessíveis? Na roça, rodovias ou em algum lugar sem acesso? Se torna bastante comum a presença de alterações comportamentais e emocionais nas crianças, adolescentes e adultos: é um fenômeno geral, atingindo todas as idades e gêneros. Falar de crise de abstinência seria ainda um exagero, mas há a presença da irritabilidade, alterações afetivas, representando a dificuldade em lidar com a falta de algo.

Todos estão suscetíveis à relação obsessiva da internet. A garotada já nasce inundada de flashes para os apressados colocarem nas redes sociais, nascem num mundo do qual a internet e o computador já fazem parte. O excesso pode prejudicar a saúde física e psicológica de todos, sendo comum que a alimentação fique prejudicada, as noites de sono sejam sacrificadas para gastar mais tempo na rede, sendo uma espécie de reclusão a tecnologia.

A saída saudável é não usar a tecnologia para inflar ou esconder os egos e sim, comunicar uma informação, um divertimento, um momento de alegria ou nostálgico. Seria não usar aparelhos celulares como “chupetas” para crianças “darem sossego”, mas usarem como “meio” de entretenimento.  Descolar do corpo e da mente seria uma tentativa de retomar a busca de um equilíbrio onde a obsessividade e impulsividade dariam lugar para um bem viver, sem excessos.

Thiago Augusto Pinto

Psicólogo pela UEMG, Especialização em Psicologia Hospitalar pelo CFP; Especialista em Gestão Pública em Saúde pela UFSJ, Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional pela UEMG. Atua em Psicologia Clínica e Hospitalar. É orientador de campo de estágio em Psicologia Hospitalar. Investiga os seguintes temas: psicologia hospitalar e da saúde, medicina e instituições de saúde, teoria e clínica psicanalítica, saúde mental, história e introdução à Psicologia, clínica com crianças, adolescentes, adultos, gestão pública, políticas públicas e tanatologia.
 

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