Carros

Vale a pena comprar um carro zero km?

Juros mínimos tendendo a zero, parcelas suaves e infinitas que se perdem no horizonte, pegam o seu usado por um preço justo, e ainda angaria o emplacamento e/ou a primeira revisão. Propostas tentadoras que quando colocadas na ponta do lápis, se encaixam no orçamento mensal e muitos acabam fechando negócio no veículo zero km, satisfazendo seus sonhos e necessidades pessoais. Em alguns casos o modelo pretendido, ou o pacote de opcionais desejado estoura o orçamento e você acaba se contentando com a versão mais simples, afinal, é carro novo. Mas qual o valor do somatório de todas as parcelas? E se pensar um pouco fora da bolha, será que com esse valor não valeria a pena um seminovo mais equipado?

Há um certo misticismo enraizado no consciente nacional, sobre o desejo que o carro zero km desperta. Carro sem placa, com plásticos nos bancos e aquele cheiro tradicional (e bom) de carro novo, chama a atenção e interesse por onde passa. As fabricantes aproveitam-se desse misticismo para elevar substancialmente o valor do automóvel com os impostos estratosféricos embutidos, de modo sincronizado entre elas. O Brasil é um dos países com os automóveis mais caros do mundo. Se vai adquirir um carro zero km, não há por onde correr, paga-se caro independente da marca ou modelo. Muitos se esquecem, ou ignoram o fato de que em financiamentos e consórcios o carro fica alienado, portanto o veículo é da agência financiadora até que o consumidor tenha quitado com todas as parcelas, dando a falsa sensação de propriedade. Ainda há a desvalorização, que é um índice percentual que estabelece a depreciação entre o valor do veículo zero km e quando ele for vendido. Vale-se o famoso jargão do “assim que o veículo encosta o pneu fora da concessionária, já perdeu valor”.

Os predicados, óbvios, são muitos: A realização pessoal supracitada, o automóvel zero km está menos suscetível a quebras, as manutenções preventivas e corretivas são mais baratas além do respaldo da garantia, que cobre peças avariadas por anomalias. E no caso de um veículo seminovo, dedica-se mais tempo e recursos à análise, pesquisa e procura de automóveis íntegros que não tiveram a manutenção negligenciada pelos donos anteriores e foram conduzidos de forma adequada. Mas fica a dica, antes de fechar negócio em um veículo zero, talvez há aquela metade da laranja que te atenda melhor, não hesite em sondar!

Yuri Rodrigues Leite

ENTUSIASTA  AUTOMOTIVO DESDE OS TEMPOS DE VELOTROL, ME DEDICO EM BUSCA DE CONHECIMENTO TÉCNICO E MERCADOLÓGICO DO UNIVERSO AUTOMOBILÍSTICO. 
FORMADO EM ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO PELA UFOP.
TRABALHO ATUALMENTE NO RAMO DE ENERGIA – SUBESTAÇÕES. 
CARRO BOM É CARRO BEM CUIDADO!

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