Dezembro vermelho

AIDS, reflexão e doença: como conviver com este mal-estar?

A AIDS, mundialmente conhecida também como “síndrome de imunodeficiência adquirida” é uma doença que ataca o sistema imunológico, levando o indivíduo a morte. Por ser causada pelo HIV (sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana), este vírus ataca as células de defesa do corpo humano, tornando o organismo mais vulnerável, seja para um simples resfriado ou até infecções mais graves, como tuberculose ou câncer, dificultando o tratamento da doença. O indivíduo diagnosticado com o vírus da AIDS é chamado de soropositivo, e tomando as medicações corretamente poderá ter uma boa qualidade de vida.

Contudo, não é nada fácil a convivência consigo e nem com a sociedade. Primeiramente o indivíduo passa pelo processo de luto ao receber o diagnóstico, causando várias manifestações psíquicas ao entorno da doença.  Há presença de pensamentos negativos, depreciativos, remorsos e sentimento de culpa ao lembrar dos motivos que o levou a adquirir a doença, negação, surtos, depressões, alterações de humor, pânicos e até tentativas de auto-extermínio. Tais manifestações afetivas atrapalham sua qualidade de vida, gerando em seu ambiente familiar, conflitos e dificuldades de manejar tais impasses.

Neste sentido, o paciente diagnosticado passa por uma crise subjetiva que necessita de suporte psicológico e médico, alicerces técnicos iniciais para auxiliar o indivíduo a repensar sua forma de viver. A fase inicial é marcada também pelo imaginário de morte, como será a vida dali pra frente, a vida social, ocupacional e o preconceito, tanto de si como da sociedade.

Algo fundamental neste cenário é o ponto da ressignificação subjetiva, sendo interessante separar três pontos importantes: a doença, sua história (história do indivíduo) e o tratamento.

Eis aí um caminho a se pensar, pois, a doença faz parte do indivíduo, a doença é uma situação que aconteceu ao longo da história. Muitos pacientes pensam ao contrário, encarnando em si a identidade da Aids com nomeações como “eu sou aidético” (sic). O cuidado aqui em sua saúde mental é para que não adotem esta identidade, afinal, somos muito mais do que um diagnóstico ou uma doença.

A doença é uma parte de mim e de minha história:  quando o indivíduo consegue fazer esta distinção, um novo caminho se abre, pois inicia um processo de elaboração subjetiva acerca da condição existencial e aos passos a serem seguidos. A angústia da morte é repensada, seu tratamento se torna menos pesado e as condições afetivas do indivíduo colabora, deixando apenas a história natural da doença, marcar o ponto final desta vida.

Quanto mais respeito e carinho você der a quem vive com HIV/Aids, melhor será a resposta ao tratamento, porque o convívio social é muito importante para o aumento da autoestima dos indivíduos e, consequentemente, faz com que eles cuidem melhor da saúde.

[1] Alusão a 01/12/2017, data em que se comemora o dia mundial de luta contra a AIDS.

Thiago Augusto Pinto

Psicólogo pela UEMG, Especialização em Psicologia Hospitalar pelo CFP; Especialista em Gestão Pública em Saúde pela UFSJ, Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional pela UEMG. Atua em Psicologia Clínica e Hospitalar. É orientador de campo de estágio em Psicologia Hospitalar. Investiga os seguintes temas: psicologia hospitalar e da saúde, medicina e instituições de saúde, teoria e clínica psicanalítica, saúde mental, história e introdução à Psicologia, clínica com crianças, adolescentes, adultos, gestão pública, políticas públicas e tanatologia.
 

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