A AIDS, mundialmente conhecida também como “síndrome de imunodeficiência adquirida” é uma doença que ataca o sistema imunológico, levando o indivíduo a morte. Por ser causada pelo HIV (sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana), este vírus ataca as células de defesa do corpo humano, tornando o organismo mais vulnerável, seja para um simples resfriado ou até infecções mais graves, como tuberculose ou câncer, dificultando o tratamento da doença. O indivíduo diagnosticado com o vírus da AIDS é chamado de soropositivo, e tomando as medicações corretamente poderá ter uma boa qualidade de vida.
Contudo, não é nada fácil a convivência consigo e nem com a sociedade. Primeiramente o indivíduo passa pelo processo de luto ao receber o diagnóstico, causando várias manifestações psíquicas ao entorno da doença. Há presença de pensamentos negativos, depreciativos, remorsos e sentimento de culpa ao lembrar dos motivos que o levou a adquirir a doença, negação, surtos, depressões, alterações de humor, pânicos e até tentativas de auto-extermínio. Tais manifestações afetivas atrapalham sua qualidade de vida, gerando em seu ambiente familiar, conflitos e dificuldades de manejar tais impasses.
Neste sentido, o paciente diagnosticado passa por uma crise subjetiva que necessita de suporte psicológico e médico, alicerces técnicos iniciais para auxiliar o indivíduo a repensar sua forma de viver. A fase inicial é marcada também pelo imaginário de morte, como será a vida dali pra frente, a vida social, ocupacional e o preconceito, tanto de si como da sociedade.
Algo fundamental neste cenário é o ponto da ressignificação subjetiva, sendo interessante separar três pontos importantes: a doença, sua história (história do indivíduo) e o tratamento.
Eis aí um caminho a se pensar, pois, a doença faz parte do indivíduo, a doença é uma situação que aconteceu ao longo da história. Muitos pacientes pensam ao contrário, encarnando em si a identidade da Aids com nomeações como “eu sou aidético” (sic). O cuidado aqui em sua saúde mental é para que não adotem esta identidade, afinal, somos muito mais do que um diagnóstico ou uma doença.
A doença é uma parte de mim e de minha história: quando o indivíduo consegue fazer esta distinção, um novo caminho se abre, pois inicia um processo de elaboração subjetiva acerca da condição existencial e aos passos a serem seguidos. A angústia da morte é repensada, seu tratamento se torna menos pesado e as condições afetivas do indivíduo colabora, deixando apenas a história natural da doença, marcar o ponto final desta vida.
Quanto mais respeito e carinho você der a quem vive com HIV/Aids, melhor será a resposta ao tratamento, porque o convívio social é muito importante para o aumento da autoestima dos indivíduos e, consequentemente, faz com que eles cuidem melhor da saúde.
[1] Alusão a 01/12/2017, data em que se comemora o dia mundial de luta contra a AIDS.
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