Diversidade

Além de Duda Salabert, Minas elege outras 3 vereadoras trans

No Brasil, 25 trans chegaram a vitória; 213% a mais que em 2016

Pelo menos 25 candidaturas trans foram eleitas para o Legislativo municipal em 2020, 213% a mais que o registrado em 2016, indicam dados consolidados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) até a tarde de ontem. Ao todo, foram 294 candidaturas apresentadas, sendo 30 coletivas e apenas duas para prefeitura e uma para vice.

Os resultados atuais refletem conquistas recentes da comunidade LGBTI+, segundo Bruna Benevides, secretária de articulação política da Antra. “Desde a criminalização da transfobia, passando pela retificação de nomes em documentos e a retirada do transtorno de gênero da lista de doenças da Organização Mundial da Saúde, nós fomos ganhando mais visibilidade e quebrando preconceitos”, justificou.

A ativista também destacou que a comunidade trans “entendeu seu lugar” na política e agora busca ocupar espaços sem intermediários ou representantes. Bruna também comemorou a pluralidade das candidaturas eleitas em diversas realidades. “Uma vereadora eleita no Pará carrega uma bagagem bem diferente de uma que está em São Paulo e tem diversas plataformas e outros tipos de engajamento”, ponderou.

“Quando uma travesti é eleita, a sociedade inteira avança”, avaliou Duda Salabert (PDT), nova recordista nas urnas da capital no que diz respeito ao Legislativo municipal, com mais de 37 mil votos, em entrevista ontem à rádio Super 91,7 FM. Com 39 anos, a professora belo-horizontina defende a pauta de gênero e o feminismo e também é ativista da educação e da causa animal.
 

País e Minas Gerais

Além de Duda, seis candidaturas figuraram em primeiro lugar para o Legislativo de suas cidades em todo o país, segundo a Antra, entre elas uma de outra capital, Aracaju (SE), e outras de duas cidades do interior de Minas.

Em Pompéu, na Região Central, Titia Chiba (PSB), de 40 anos, foi a sufragista mais votada, com 1.220 votos. Ela já havia tentado se eleger para o cargo de vereadora e nos últimos anos intensificou o trabalho social com famílias da cidade. A nova parlamentar conta que há 10 anos sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixou parte do seu corpo paralisado, mas nem a deficiência foi empecilho para continuar tentado.

“Não imaginava que seria a mais votada, mas eu acreditei muito. A política agora é o espaço para a diversidade. É lugar de índio, de preto, de gay e trans. Isso mostra que a política está mudando para melhor”, destacou Titia Chiba.

No Sul de Minas Gerais,  Em Bom Repouso, cidade com apenas 11 mil habitantes (dados mais atualizados do IBGE), a tucana Paulette Blue também liderou a votação, com 352 votos. Esta é a primeira vez que a maquiadora se candidatou a um cargo político no município.

“Foi uma surpresa a minha eleição. Eu sou a única travesti da minha cidade e não achava que seria tão acolhida pelas pessoas. Me considero uma pessoa de família, que andou muito e conversou com as pessoas. Espero poder retribuir isso para todos”, disse a eleita.

Outro fato inédito deste pleito foi a eleição de um homem trans. Filho da cantora Gretchen e personalidade da mídia, Thammy Miranda (PL), 38, conquistou, com 43.321 votos, uma vaga no Legislativo paulistano. Ainda na maior cidade do país, a trans Erika Hilton, 28, recebeu o apoio de 50.508 eleitores e foi a mulher mais votada.

História

Apesar de resultados expressivos no pleito deste domingo, não é um fenômeno novo a eleição de mulheres trans. A primeira vereadora travesti eleita no Brasil, em 1992, foi Kátia Tapety, hoje com 71 anos. Ela ocupou uma cadeira na Câmara de Colônia do Piauí, cerca de 400km da capital Teresina por três mandatos e também foi vice-prefeita entre 2005 e 2008. No entanto, neste ano ela não conseguiu voltar ao legislativo da cidade piauiense, tendo apenas 18 votos.

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