Na última segunda-feira (22), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma nova fase do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), linha de garantia de crédito que contempla empresas de menor porte.
Esta segunda fase está prevista para durar até dezembro de 2023, podendo garantir até R$ 22 bilhões em empréstimos, ofertados por bancos comerciais. Dessa forma, a novidade é que agora, microempreendedores individuais (MEIs) também serão contemplados com o crédito, além de pequenas empresas. Portanto, o valor mínimo para empréstimo é R$ 1 mil.
Intenção eleitoral
No dia 18 de agosto, Gustavo Montezano, o presidente do BNDES, afirmou que até mesmo os políticos admitiram o sucesso do programa, já que a ampliação do crédito para pequenos negócios é uma iniciativa que rende votos em ano eleitoral.
Na última terça-feira (22), o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES, Bruno Laskowsky, negou ao Estadão que haja qualquer intenção eleitoral na reabertura do Peac. De acordo com o executivo, a nova fase do programa de garantia de crédito já vinha sendo planejada havia tempos, incluindo discussões com os bancos comerciais que atuam no programa.
“Viemos conversando há muito tempo, não é conjuntural. Quando definimos que a nossa estratégia no BNDES é ampliar a acessibilidade de crédito para as PMEs (pequenas e médias empresas), há três anos, viemos conversando com o sistema (bancário) todo”, disse.
Força empreendedora
Em suma, esta segunda está focada na “força empreendedora” dos pequenos negócios, incluindo os MEIs, que necessitam de financiamentos como “combustível” para expandir.
“Na rodada emergencial, o tema era uma crise de risco. Havia liquidez, mas ela ficou represada. A engenharia foi dar um seguro para os agentes (financeiros, ou seja, os bancos comerciais) se sentirem mais confortáveis para distribuir crédito”, afirmou o diretor do BNDES.
Atualmente, a iniciativa dá prioridade aos negócios realmente pequenos. “É mais segmentado. O MEI, com os juros mais altos, a crise geopolítica (como a guerra na Ucrânia), questões objetivas do Brasil (como a campanha eleitoral), tem mais dificuldade de pegar crédito no mercado”, disse Laskowsky.
Números da primeira fase
Na primeira fase, que aconteceu até 31 de dezembro de 2020, o Peac garantiu 135.720 empréstimos, contratados por 114.355 empresas, totalizando R$ 92,1 bilhões. Ademais, os financiamentos foram oferecidos por aproximadamente 40 bancos. As instituições que obtiveram destaque na ação foram:
- Itaú – R$ 15,657 bilhões;
- Bradesco – 15,484 bilhões; e
- Caixa – R$ 15,094 bilhões.
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