Operação Policial

Operação "Cemitério Maldito" é realizada em Formiga contra servidores e ex-servidores do Serviço Municipal de Luto

Investigações do MPMG descobre que coveiros recebiam propina para reservar um lugar no cemitério da cidade

Uma operação comandada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) é realizada nesta sexta-feira (9), em Formiga, para cumprir mandados contra servidores e ex-servidores do Serviço Municipal de Luto.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão - que resultou na apreensão de vários documentos - e seis cautelares, como afastamento do serviço público, recolhimento noturno e dias de folga.

Segundo apuração do MPMG, coveiros da cidade recebiam propina para reservar um lugar no cemitério da cidade. Eles enterravam um caixão vazio e, em seguida, colocavam uma placa com o nome da família. Quando morria alguém daquela família, eles tiravam o caixão vazio e enterravam o corpo.

Investigação

O promotor do MPMG, Ângelo Ansanelli, em entrevista ao MG1, explicou como as investigações começaram.

 

“Um servidor de confiança da Prefeitura nos trouxe as informações. Inclusive, vídeos de caixões sendo enterrados sem nenhum corpo. Isso foi em julho do ano passado. A partir disso, começamos as investigações junto com a Promotoria de Patrimônio Público", explicou o promotor

 

Ainda segundo o membro do Ministério Público, foi descoberto que os coveiros recebiam valores de propina para reservar locais para famílias no Cemitério Público. Eles cobravam em torno de R$ 2 mil a R$ 3 mil. Os coveiros enterravam um caixão vazio, a cova ficava fechada e tinha uma placa com o nome da família. Quando morria alguém desta família, o corpo era sepultado nestes locais.

O esquema ocorre desde 2007, segundo o Ministério Público. Um dos principais envolvidos foi exonerado da Prefeitura, mas continuava realizando o esquema por meio dos outros coveiros.

"Todos os envolvidos vão ser ouvidos. Os coveiros são investigados pelos crimes de corrupção passiva e pela prática do crime de peculato, que é o desvio de dinheiro público, utilizando a função pública. As pessoas que pagaram para reservar os túmulos também serão investigadas por corrupção ativa", acrescentou o promotor.

Irregularidades

De acordo com o MPMG, até o momento, foram várias irregularidades encontradas neste esquema. "Também detectamos que estão sendo apuradas, como por exemplo, recebimento de horas extras sem que eles estivessem de fato trabalhando, o que também configura crime de peculato", disse.

"Há também o fato de que eles cobravam das famílias para cuidar destes túmulos. Os coveiros faziam isso no horário de serviço e com os insumos da Prefeitura. Há mais dois fatos que vamos aprofundar nas investigações: o eventual desvio de urna funerária pública para particular e abastecimento de veículo particular com dinheiro da Prefeitura. Estes dois fatos temos que aprofundar mais. Vamos fazer isso com a análise dos documentos apreendidos", concluiu Ângelo.

Prefeitura

Em nota, a Administração Municipal informou que tomou conhecimento nesta manhã da operação comandada pelo Ministério Público e que a Prefeitura já tinha procedimento administrativo instaurado contra um dos investigados. Além disso, informou que não compactua com esse tipo de conduta e que está à disposição no auxílio das investigações

A Prefeitura de Formiga por meio da Secretaria Municipal de desenvolvimento humano informa que de acordo com a ordem judicial de afastamento cautelar requerida pelo Ministério Público, os seis servidores do serviço Municipal de luto investigados na Operação "Cemitério Maldito" foram afastados dos cargos.

De acordo com a Administração Municipal está sendo realizado o remanejamento entre a equipe para nova escala bem como contratação temporária para substituição.

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